Posso fazer Coaching voluntário?

O Coach pode fazer um trabalho Coaching voluntário? Essa pergunta veio da Paula Carolina, que perguntou se podia fazer trabalho voluntário enquanto terminava o curso dela. A resposta parece um pouco óbvia, mas tenho umas ideias legais pra jogar na roda sobre isso. Se pode fazer, de que forma e quando? Quais são os cuidados que a gente precisa ter? Vou falar contigo sobre isso agora!!

O Coaching é uma atividade séria, e trabalho voluntário é mais sério ainda, porque quando nós doamos o nosso tempo parece que não é nada pra gente, mas é muito valioso pra quem está recebendo essas horas. Eu já tive a oportunidade de fazer palestra pra pessoas em situação de rua e já fiz Coaching pra pessoas que moravam em abrigo, então tive contato direto com quem precisava de atendimento e sei como é.

Essas pessoas esperam muito mais do que o Coaching, elas querem atenção. Muitas vezes quando a gente se compromete com um serviço social, um atendimento voluntário e não cumpre, você está deixando de se importar com aquela pessoa, e não deixando de fazer uma sessão.

Se você decidir que quer fazer trabalho voluntário, a primeira regra é se dedicar com a mesma seriedade (ou até com mais seriedade) do que se alguém tivesse pagando você com dez, vinte, trinta mil reais pra realizar aquela tarefa. Essas pessoas estão pagando com confiança, e quando isso acontece, a moeda de troca tem que ser confiança da sua parte também.

“Ah Geronimo, então eu posso fazer?” Claaaaro que pode, mas o fato é que você precisa devolver na mesma moeda que a pessoa tá dando a você. Um dos cuidados que tem que existir é justamente o de se importar sempre.

Só pra você ter uma ideia, quando eu tive a oportunidade de fazer Coaching com pessoas necessitadas (eram pessoas em situação de rua que estavam nesse abrigo) não foi imposto que eles fizessem nada. Eu dei uma mini palestra pra eles e ofereci a chance de passarem por um processo de Coaching. De primeira ninguém levantou a mão, porque aquelas pessoas estavam ressabiadas por todas as vezes em que esperaram algo de alguém e não tiveram nada em troca.

Alguns pensamentos naturais de quem já sofreu bastante em situação de rua são “O que que ele quer de mim?” e “Por que esse cara tá aqui???”. Nesse momento, você deve usar as mesmas técnicas que usa normalmente pro cara contratar você.

Eu virei e disse: “Eu entendo que vocês têm que pensar melhor, mas eu só tenho 3 vagas pra atender vocês, e eu vou atender por ordem de chegada. Quem for o primeiro vai conseguir ser atendido por mim, mas quem esperar até semana que vem talvez não consiga”. Fiz o anúncio com integridade, pois era mesmo o que eu ia fazer (eu só tinha 3 vagas meesmo). Aos poucos, algumas pessoas foram levantando a mão.

Ser humano é ser humano, não importa a situação em que esteja. Então ele age de acordo com o que ele percebe que pode perder se deixar aquela oportunidade escapar. Nós Coaches temos que honrar, ter amor, se importar e entender que aquilo é uma venda, mesmo que não envolva dinheiro. É a mesma lógica de vender um processo de Coaching por dez mil reais. Eu preciso que ele compre a mim, que compre a minha ideia.

Se eu convencer uma pessoa em situação de rua a se abrir pra mim, o que eu to ganhando é credibilidade e confiança, e isso faz até mesmo ficar fácil vender Coaching pra alguém que vai poder pagar.

Vou dizer agora como você se aproxima dessas pessoas…

Aqui no IGT (minha empresa), a gente acredita que o bem nunca para, e nossa visão é criar um dia mundial em que nenhuma criança passe fome. Como fazemos isso? Distribuímos cesta básica e oferece processos de Coaching voluntário pra famílias com crianças de até 12 anos. Não adianta, no entanto, eu chegar numa instituição que nunca me viu e querer conseguir alguma parceria.

Existem instituições que realizam um trabalho sério, e as pessoas por detrás de todo esse serviço social já aprenderam com os anos que muita gente chega motivada mas que vão umas duas vezes e param de contribuir. Isso faz com que todos que dependiam desses voluntários fiquem pelo caminho. O ideal é se aproximar devagar. Veja o que você pode gerar de valor pras pessoas daquele lugar.

O que nós aqui fizemos foi distribuir cesta básica de graça pra instituição. Perguntamos se tinham famílias que estavam precisando e doamos a quantidade que eles disseram. Depois disso, organizamos a segunda etapa do projeto, que era fazer processo de Coaching voluntário com as famílias. Perguntamos se aquela instituição queria concorrer junto com outras pra ganhar essas sessões, e eles toparam.

O Coaching voluntário pode ajudar pessoas em situação de rua, quem tá desempregado, muita gente que precisa e que talvez não possa pagar por um Coach. Começa o projeto pequeno, e depois você aumenta. Prometeu, entrega! Vão pagar você com confiança, e se você não devolver com confiança, você vai estar causando mal àquela pessoa. Não o mal de deixar de fazer Coaching com você, mas de fazer com que sintam que não deveriam ter confiado em alguém novamente.

Se você quer fazer um trabalho de Coaching voluntário, eu honro você por isso. Tem muito sofrimento no mundo, muitas pessoas que não podem pagar, então vá sim fazer o voluntariado!! Dê o seu melhor, melhor até do que se tivessem pagando você. Nós somos Coaches e mudamos o mundo (pelo menos é o que eu acredito hehe), então você muda o mundo daí e eu mudo o mundo daqui pra que o lugar em que a gente está melhore cada vez mais.

Curtiu? Então comenta aqui embaixo o que você achou, se já fez Coaching voluntário!! E se tiver alguma dúvida é só me perguntar aqui embaixo também!! Quem sabe a próxima dúvida que eu vou responder não é a sua?? Vou adorar ler o que você escrever pra mim 🙂

Olha só, acho que você pode curtir esses outros temas…

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